

De 21 a 24 de Out, o BCN apresenta no Estaleiro uma criação de Luís Carolino - NOCTURNO.
Bilhetes a 4 Euro. Início do espectáculo às 21h30m.
NOCTURNO, é a primeira criação do Ballet Contemporâneo do Norte realizada no contexto da residência da companhia em Santa Maria da Feira com a colaboração e apoio do Município local e da Feira Viva EM. Trata-se de um espectáculo forte e intenso, simultaneamente acessível e exigente, que tem deixado o público que a ele já assistiu muito bem impressionado.
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NOCTURNO
Uma Mulher da vida, um homem solitário e uma falsa suicida habitam um espaço vazio.
O espaço é tratado, à semelhança do que já vem acontecendo noutras peças de Luis Carolino, como um lugar de onde não se sai e onde não se entra: o espaço vazio «brookiano» que em si mesmo encerra as linhas fundamentais da dramaturgia da peça; a quarta parede è aquela que está por detrás dos espectadores ficando estes tão dentro e prisioneiros do espaço de representação como os intérpretes, sem no entanto abdicarem do seu estatuto de voyeurs, testemunhas.
A Morte, a quarta personagem em cena, fala-nos de si, do seu «trabalho», e de como nos vê. A palavra, o texto, têm nesta peça um carácter estruturante atravessando, como uma linha num espaço euclidiano – o caminho mais curto entre dois pontos –, a matéria essencial de Nocturno: a fisicalidade.
O discurso da Morte assume-se assim como linha condutora de uma dramaturgia cerrada, presa dos seus próprios pressupostos. À dicotomia fundamental deste universo, Vida (personagens dançantes) / Morte (personagem falante), contrapõe-se essa outra dicotomia estruturante do universo humano: Bem/Mal; criando um Norte/Sul – Este/Oeste, pontos cardeais desta viagem de (re)descoberta que é Nocturno.
Espectáculo feito à medida dos seus intérpretes, Nocturno é também a medida do desafio criativo e interpretativo que a estes foi feito; é um espectáculo de maturidade que de algum modo reflecte a inquietação e incerteza do mundo contemporâneo.
Ao escolher estas personagens, algo banais e comuns, incluindo a morte, a mais banal e comum das «personagens», o que é importante (outro dos pressupostos recorrentes na obra de Luis Carolino) é o seu possível carácter e dimensão épicos; o que é interessante nos trabalhos e aventuras destes Ulisses à pátria retornados, é que possam constituir-se referenciais para os nossos próprios trabalhos e aventuras enquanto cidadãos comuns.
Este é um aspecto que se relaciona directamente com a eterna questão da função social da arte e do artista, questão que vai muito além do aparente e comezinho conflito da formiga e da cigarra de antanho: questão sem resposta definitiva mas que é importante – ver indispensável – colocar constantemente.
Nocturno é um espectáculo para ver, ouvir e principalmente sentir; depois só resta pensar, esse subproduto do nosso processo mental, que tantas vezes se tende a descartar como fundamental nos tempos que correm.
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